quarta-feira, 9 de junho de 2021

LIDANDO COM AS ASSOMBRAÇÕES DA MENTE

“Não adianta desejar eliminar uma assombração sem antes não aprendermos como lidar com ela”. (Evandro Rodrigo Tropéia, Psicoterapeuta).
A Mente humana carrega em si suas complexidades. A partir daí surge a extrema necessidade do aprendizado. É preciso aprender a lidar com as complexidades que norteiam nossa vida e estão alojadas internamente em nossa psique. Mas, o que são essas complexidades? Podemos comparar a mente humana com uma casa mal assombrada, ou seja, repleta de mistérios mergulhados num espaço obscuro. Essas complexidades são nada mais que as nossas assombrações individuais. São fantasmas que rondam a nossa casa interior, isto é, a nossa mente. Lidar com as complexidades, na maioria das vezes, é lidar com aquilo que nos é desconhecido. Lutar contra essas assombrações é um processo extremamente doloroso, pois é preciso confrontar o que é totalmente inevitável. E, por este motivo, não há como fugir e nem ao menos se esquivar. Nos dias atuais, são diversos os fantasmas com os quais temos de confrontar, tais como a depressão, a ansiedade, a angústia, o medo, a mágoa, o ressentimento, os traumas do passado, os pensamentos acelerados e os sentimentos de fracasso. Perceba que todas estas assombrações citadas no parágrafo anterior estão ligadas ao ato de aprender. É preciso aprender a lidar com aquilo que nos assombra. O aprendizado é a melhor forma de confrontar nossos fantasmas interiores. Todos estes fantasmas carregam em sua essência algo muito valioso para nos ensinar a respeito de nosso próprio eu. Carl Gustav Jung (1875-1961), certa vez, afirmou que quando a depressão vier bater em nossa porta, é preciso permitir que ela entre e se acomode, para que assim, possamos ouvir o que ela tanto quer nos dizer. Portanto, me permito deixar registrado neste artigo o seguinte apontamento: Não adianta desejar eliminar uma assombração sem antes não aprendermos como lidar com ela. De acordo com o terapeuta analítico e cofundador do Instituto C. G. Jung da Filadélfia, James Hollis, todos nós temos complexos porque temos uma história, e a história abastece a nossa vida psíquica com aglomerados energéticos de valência. Segundo ele, alguns complexos carregam um papel benigno e protetor em nossas vidas. E assim, é importantíssimo termos uma considerável experiência com eles. Outro aspecto fundamental da experiência do aprendizado é a importância de desenterrar os fantasmas em nós, evitando ao máximo reprimi-los e impedi-los de se manifestar. Carl Gustav Jung afirma que todos nós temos um segredo patológico assustador, constrangedor e humilhante, que se poderia ocultar a todo o custo. No entanto, Jung defende a tese de que enquanto estes segredos permanecerem enterrados em nós, eles continuarão a liberar suas toxinas invisíveis e inconscientes, e assim, permanecerão exercendo grande influência em nosso comportamento consciente. Para que sejam dissipados todos os fantasmas que nos assombram e dirigem nossas vidas, é preciso, antes de tudo, torná-los conscientes, trazendo cada um deles a nosso favor e aprender de “coração aberto” tudo o que eles têm para nos ensinar. A psicoterapia é a ferramenta fundamental que nos auxilia no período de aprendizado. A figura do Psicoterapeuta nos remete ao mentor que nos aponta o caminho. A terapia psicológica nos ajuda na difícil tarefa de desenterrar os fantasmas que carregamos dentro de nós mesmos. É importante ressaltar que o ato de desenterrar os fantasmas e aprender com eles é um processo muito particular. Trata-se de um processo subjetivo. Portanto, o psicoterapeuta não tem a função de desenterrar os fantasmas de seus pacientes, e sim orientá-los no processo. Confrontar e aprender com as Assombrações cotidianas de nossa mente é um ato de decisão e de coragem. Domine seus medos, desenvolva sua coragem e tome a sua decisão. Encontre o seu caminho, busque sempre pelo equilíbrio. Faça Psicoterapia! Evandro Rodrigo Tropéia Psicoterapeuta CRP: 06/143949

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MEDO E A ANSIEDADE




Quero iniciar este artigo, propondo ao caríssimo leitor a seguinte reflexão:
Reconheça seus sentimentos, assuma suas responsabilidades e receba a cura.

Através de meus estudos e de minhas experiências pessoais, pude compreender que o medo e a ansiedade são condições normais e naturais em nossa vida. A ansiedade, que é uma função de nossa história pessoal, é normal e natural. A angústia, também é normal e natural. O que realmente devemos levar em conta é o grau de afeto e a consequência de nossas reações desequilibradas frente algumas situações.
Existe uma diferença considerável entre a ansiedade normal e a ansiedade que se torna neuroticamente incapacitante, ou seja, aquela ansiedade que nos prende ou nos tira completamente do eixo. Esse nível de Ansiedade já se configura em nível patológico.
Não devemos jamais nos condenar ou até mesmo nos menosprezar por sentir ansiedade. Ela só se transforma em patologia quando nos impede de viver a nossa vida da maneira mais plena possível.
A ansiedade também se torna um problema moral quando as estratégias que escolhemos são prejudiciais e impeditivas, tais como, a fuga, a esquiva e a preocupação excessiva.
Através dessa importante reflexão, chegamos a ideia de que a ansiedade é como o preço de um bilhete para a jornada da vida, isto é, ter uma dose equilibrada de ansiedade pode ser algo positivo. Através da ansiedade, canalizamos nossas energias em direção dos nossos desejos e objetivos. No entanto, o equilíbrio é fundamental. Sem bilhete, não há jornada; sem jornada, não há vida!
O caminho da ansiedade é necessário porque nele repousa a esperança da pessoa de se tornar mais próximo de sua integridade. Podemos até fugir da ansiedade, mas fugir da ansiedade é o mesmo que fugir de nossa única vida.
Sigmund Freud, em seus minuciosos estudos, observou que a tarefa do processo psicoterapêutico é transportar a pessoa das assombrações neuróticas para as assombrações normais da vida. Através da psicoterapia somos motivados a enfrentar e suportar tudo aquilo que não conseguimos suportar.
A coragem não é a ausência de medo. Ela é a percepção de que algumas coisas são mais importante para nós do que aquilo que tememos. Lidar com nossos medos é a forma mais concreta de alcançar nossos objetivos.
Vivemos hoje em uma sociedade extremamente julgadora e rotuladora. Estamos expostos à rotulações o tempo todo. As pessoas querem nos definir através de suas proprias projeções. A consequência patológica disso é que nos tornamos aquilo que o outro quer que sejamos, e assim, deixamos de ser quem realmente somos.

Voltando ao ponto inicial de nossa reflexão:
·        Reconheça seus sentimentos: Não esconda seus sentimentos, vivencie as suas emoções e permita-se ser, sentir e agir.
·        Assuma as suas responsabilidades: Tome as rédeas da corruagem da sua vida. Assuma os seus erros, repare-os se necessário. Não assuma a responsabilidade e a culpa dos outros.
·        Receba a cura: Seja sempre você mesmo! Como nos diz Jung – Somente aquilo que somos pode nos curar.

Reconheça seus sentimentos, assuma suas responsabilidades e receba a cura.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949

O LADO SOMBRIO DE NOSSA PSIQUE





O Arquétipo Sombra consiste no lado obscuro da Psique, onde estão contidos nossos instintos primitivos. É a origem de tudo aquilo que há de melhor e pior na raça humana. Para que o sujeito seja inserido na comunidade, é necessário que ele passe pelo processo de domesticação com relação aos ímpetos contidos na sombra.
Quando a pessoa consegue suprimir o aspecto animal de seu estado natural, ela pode se tornar “civilizada”, mas esta repressão só pode ser executada através das capacidades motivadoras da espontaneidade, da criatividade, das emoções e das intuições.
Podemos afirmar que uma vida privada de sua sombra se transforma numa vida sem brilho. Não há como fugir de sua sombra.
A Sombra é um Arquétipo de muito valor, pois ela detém a capacidade de reter e afirmar idéias ou imagens que trazem vantagens para a vida do indivíduo.
Segundo Carl Gustav Jung, (1875-1961),  tudo aquilo que o nosso ego não tem a capacidade de suportar e não consegue se adaptar está contido na Sombra. No entanto, os conteúdos reprimidos ou não reconhecidos pelo nosso ego podem ser bons ou maus.

Carl Gustav Jung

No parágrafo 14 de sua obra AION; Estudos sobre o Simbolismo do Si – Mesmo, Jung nos propõe a seguinte reflexão:

A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. […].

Conforme o penamento proposto por Jung, o lado sombrio de nossa psique  é o arquétipo que carrega em si a responsabilidade pela construção dos pensamentos, dos sentimentos e das sensações desagradáveis  no campo da consciência. Todo esse aglomerado de pensamentos e emoções são consciderados inaceitáveis e então são reprimidos no inconsciente. 
A sombra não pode ser eliminada, com ela é necessário que exista o confronto. Confrontá-la é algo indesejado pelo ego, afinal é um choque ver como se é e não como gostaria de ser. O grande objetivo do confronto é que o ego estabeleça uma relação amigável e equilibrada com a sombra. Para Carl Gustav Jung, é extremamente necessário admitirmos e levarmos a sério o nosso lado sombrio.  Assim, nos tornamos conscientes de da real intenção de nossa sombra e reconhecemos enfim as suas qualidades.


A regência de uma vida saudável gira sempre em torno do equilíbrio. O Ego e a Sombra devem trabalhar em perfeita harmonia. Quando o Ego e a Sombra se harmonizam, a pessoa começa a se sentir cheia de vida e energia para prosseguir em sua caminhada. Assim, o Ego deixa de obstruir a Sombra e passa a canalizá-la. A Consciência se expande trazendo vitalidade à atividade mental.
Portanto, podemos chegar á conclusão de que a Sombra não é totalmente negativa e destruídora, por outro lado, podemos perceber o quanto ela pode contribuir para o nosso desenvolvimento saudável e o quanto é importante termos um diálogo sincero e reflexivo com nosso aspecto sombrio, pois é através da assimilação dos nossos conteúdos sombrios que poderemos evoluir em nosso processo de Individuação.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949






quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O MEIO DA VIDA


Os efeitos da Metanóia na perspectiva Junguiana




Segundo a psicologia analítica desenvolvida por Carl Gustav Jung (1875-1961), dos 35 aos 50 anos de idade, chegamos a fase do Desenvolvimento Humano denoninada de Meia Idade ou Meio da Vida.
Conforme a ideia proposta pelo presidente da Associação Internacional de Psicologia Analítica, Murray Stein (2007), esta é a fase do enterro das seguranças e da identidade perdida. Mudanças de humor, limitações da vida, ataques de pânico, momentos de nostalgia, períodos de luto, e principalmente a negação de que tudo isso esteja acontecendo, são carcterísticas muito presentes nesta fase do desenvolvimento.
De acordo com Murray Stein (2007), o meio da vida trata-se de um momento onde o Self (nossa totalidade – Si Mesmo) tenta tomar o controle de nossa psique, correspondendo assim, ao início do processo de Individuação.
É um tempo de muitos questionamentos e transformações. Podemos concluir que esta etapa consiste num forte empurrão do Inconsciente que aparece de forma repentina, nos desconcertando e carregando em si uma extrema reviravolta. Trata-se de uma etapa dolorosa, pois, sempre soubemos que ela um dia chegaria, no entanto, nunca esperamos, de fato, por ela.
Através dos estudos de Stein (2007), podemos interpretar esta etapa como uma mensagem que é transmitida pelo nosso Inconsciente. Esta mensagem precisa ser assimilada, caso contrário, o não-entendimento desta mensagem poderá se desenvolver de forma muito mais dolorosa e dramática. Podendo se manifestar através de graves acidentes, somatizações, AVCs, enfartes e o desencadeamento das mais variadas doenças. Todos esses acontecimentos relacionados com os estudos da psicossomática é o que denominamos “demônio do meio-dia” na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.
A Psicoterapia nesta fase da vida torna-se uma peça fundamental na jornada do autoconhecimento.
Chegar a “meia idade” significa fazer um balanço consigo mesmo, assim, realizamos o auto exame de nossas vivências, originando, de certa forma, uma espécie de crise existencial. Com certa frequência, este é um tempo de depressão.
Segundo Murray Stein (2007), nesta fase da existência humana, o indivíduo não tem mais a mesma disposição de antes. Em muitos momentos se vivencia a tristeza e a insegurança e os cabelos brancos começam a dar o “ar” de sua graça.
A Juventude ficou para trás, entra-se agora em uma outra etapa da vida. Eis a tão comentada Metanóia.  Metanóia pode significar: expansão da consciência, ir além da razão lógica, transcender, converter-se, ter mudança de crenças ou visão de mundo.
O principal tarefa da análise Junguiana é conduzir o analisando ao seu estado de Metanóia. Nesta fase de transformação e mudança de crenças e valores, é importante ressaltar que, é preciso também voltar ao “primeiro amor”, isto é, ir em busca daquilo que é meu e que, de alguma forma, eu deixei para trás em benefício do outro.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949

Referência Bibliográfica:

STEIN, Murray. No meio da Vida: Uma Perspectiva Junguiana – São Paulo: Paulus, 2007.


CONFRONTANDO OS FANTASMAS DA CULPA




Enfrentar a vida sempre exige de cada um de nós um esforço quase que sobrenatural. Uma das coisas que mais nos assombra é o fardo do passado e as incertezas que nos rodeiam em relação ao futuro.
O preço que pagamos por um passado sobrecarregado é a Culpa, enquanto que  o preço que pagamos pela incerteza do futuro é a Ansiedade. O peso da culpa nos torna cada vez mais incapazes diante da vida.
A maioria de nossos comportamentos, consciente e inconsciente, são movidos por culpa, vergonha, ansiedade, medo e outros fantasmas que envolvem nossa alma. O sentimento de culpa se revela em nossas vidas através de três maneiras:
·        Evitação;
·        Supercompensação;
·        Autosabotagem.
A culpa manifestada através da evitação nos leva para longe das condições normais da vida. Neste cas, a culpa nos traz a sensação de indignidade. “Não sou digno de estar neste local!”
A culpa revelada pela supercompensação é aquela que compensamos a nossa culpa através de atitudes compensatórias. Por exemplo: o pai que se sente culpado pela ausência na vida do filho, compensa a sua culpa através da compra de meios materiais.
A autosabotagem consiste na autocondenação que o preço da autocondenação que o preço da culpa nos traz. Frases do tipo:
- Sou um monstro
- Estou condenado ao inferno!
- Nada pode me salvar!
Este tema tão complexo nos remete ao tão temido reconhecimento de nossa sombra (Aspecto sombrio de nossa personalidade).
Quando reconhecemos e assuminos nossa culpa, podemos encontrar a nossa real libertação. Reconhecer é dar um novo significado, para que assim, possamos não carregar mais o peso de uma determinada culpa.
Reconheça a sua sombra e ela não mais te dominará.
A culpa pode ter o poder de nos destruir, mas quando a reconhecemos e ressignificamos a dor que ela nos causa, o sentimento de culpa pode se tornar um importante aliado no processo do despertar de nossa consciência.
A culpa pode se manifestar através das constantes autoacusações, isto é, pela cobrança e pela rigidez com que o sujeito  trata aele mesmo, através de um mascarado  sentimento de inferioridade que na realidade expressa um sentimento de superioridade.
Para a Psicologia profunda de Carl Gustav Jung, o sentimento de culpa é um dos maiores males que atingem  a civilização. É muito comum utilizar este sentimento, e essa utilização está contida no universo do inconsciente, com o objetivo de tentar controlar uma situação negativa, de repulsa, que está no limiar da assertividade ou não.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949