segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MEDO E A ANSIEDADE




Quero iniciar este artigo, propondo ao caríssimo leitor a seguinte reflexão:
Reconheça seus sentimentos, assuma suas responsabilidades e receba a cura.

Através de meus estudos e de minhas experiências pessoais, pude compreender que o medo e a ansiedade são condições normais e naturais em nossa vida. A ansiedade, que é uma função de nossa história pessoal, é normal e natural. A angústia, também é normal e natural. O que realmente devemos levar em conta é o grau de afeto e a consequência de nossas reações desequilibradas frente algumas situações.
Existe uma diferença considerável entre a ansiedade normal e a ansiedade que se torna neuroticamente incapacitante, ou seja, aquela ansiedade que nos prende ou nos tira completamente do eixo. Esse nível de Ansiedade já se configura em nível patológico.
Não devemos jamais nos condenar ou até mesmo nos menosprezar por sentir ansiedade. Ela só se transforma em patologia quando nos impede de viver a nossa vida da maneira mais plena possível.
A ansiedade também se torna um problema moral quando as estratégias que escolhemos são prejudiciais e impeditivas, tais como, a fuga, a esquiva e a preocupação excessiva.
Através dessa importante reflexão, chegamos a ideia de que a ansiedade é como o preço de um bilhete para a jornada da vida, isto é, ter uma dose equilibrada de ansiedade pode ser algo positivo. Através da ansiedade, canalizamos nossas energias em direção dos nossos desejos e objetivos. No entanto, o equilíbrio é fundamental. Sem bilhete, não há jornada; sem jornada, não há vida!
O caminho da ansiedade é necessário porque nele repousa a esperança da pessoa de se tornar mais próximo de sua integridade. Podemos até fugir da ansiedade, mas fugir da ansiedade é o mesmo que fugir de nossa única vida.
Sigmund Freud, em seus minuciosos estudos, observou que a tarefa do processo psicoterapêutico é transportar a pessoa das assombrações neuróticas para as assombrações normais da vida. Através da psicoterapia somos motivados a enfrentar e suportar tudo aquilo que não conseguimos suportar.
A coragem não é a ausência de medo. Ela é a percepção de que algumas coisas são mais importante para nós do que aquilo que tememos. Lidar com nossos medos é a forma mais concreta de alcançar nossos objetivos.
Vivemos hoje em uma sociedade extremamente julgadora e rotuladora. Estamos expostos à rotulações o tempo todo. As pessoas querem nos definir através de suas proprias projeções. A consequência patológica disso é que nos tornamos aquilo que o outro quer que sejamos, e assim, deixamos de ser quem realmente somos.

Voltando ao ponto inicial de nossa reflexão:
·        Reconheça seus sentimentos: Não esconda seus sentimentos, vivencie as suas emoções e permita-se ser, sentir e agir.
·        Assuma as suas responsabilidades: Tome as rédeas da corruagem da sua vida. Assuma os seus erros, repare-os se necessário. Não assuma a responsabilidade e a culpa dos outros.
·        Receba a cura: Seja sempre você mesmo! Como nos diz Jung – Somente aquilo que somos pode nos curar.

Reconheça seus sentimentos, assuma suas responsabilidades e receba a cura.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949

O LADO SOMBRIO DE NOSSA PSIQUE





O Arquétipo Sombra consiste no lado obscuro da Psique, onde estão contidos nossos instintos primitivos. É a origem de tudo aquilo que há de melhor e pior na raça humana. Para que o sujeito seja inserido na comunidade, é necessário que ele passe pelo processo de domesticação com relação aos ímpetos contidos na sombra.
Quando a pessoa consegue suprimir o aspecto animal de seu estado natural, ela pode se tornar “civilizada”, mas esta repressão só pode ser executada através das capacidades motivadoras da espontaneidade, da criatividade, das emoções e das intuições.
Podemos afirmar que uma vida privada de sua sombra se transforma numa vida sem brilho. Não há como fugir de sua sombra.
A Sombra é um Arquétipo de muito valor, pois ela detém a capacidade de reter e afirmar idéias ou imagens que trazem vantagens para a vida do indivíduo.
Segundo Carl Gustav Jung, (1875-1961),  tudo aquilo que o nosso ego não tem a capacidade de suportar e não consegue se adaptar está contido na Sombra. No entanto, os conteúdos reprimidos ou não reconhecidos pelo nosso ego podem ser bons ou maus.

Carl Gustav Jung

No parágrafo 14 de sua obra AION; Estudos sobre o Simbolismo do Si – Mesmo, Jung nos propõe a seguinte reflexão:

A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. […].

Conforme o penamento proposto por Jung, o lado sombrio de nossa psique  é o arquétipo que carrega em si a responsabilidade pela construção dos pensamentos, dos sentimentos e das sensações desagradáveis  no campo da consciência. Todo esse aglomerado de pensamentos e emoções são consciderados inaceitáveis e então são reprimidos no inconsciente. 
A sombra não pode ser eliminada, com ela é necessário que exista o confronto. Confrontá-la é algo indesejado pelo ego, afinal é um choque ver como se é e não como gostaria de ser. O grande objetivo do confronto é que o ego estabeleça uma relação amigável e equilibrada com a sombra. Para Carl Gustav Jung, é extremamente necessário admitirmos e levarmos a sério o nosso lado sombrio.  Assim, nos tornamos conscientes de da real intenção de nossa sombra e reconhecemos enfim as suas qualidades.


A regência de uma vida saudável gira sempre em torno do equilíbrio. O Ego e a Sombra devem trabalhar em perfeita harmonia. Quando o Ego e a Sombra se harmonizam, a pessoa começa a se sentir cheia de vida e energia para prosseguir em sua caminhada. Assim, o Ego deixa de obstruir a Sombra e passa a canalizá-la. A Consciência se expande trazendo vitalidade à atividade mental.
Portanto, podemos chegar á conclusão de que a Sombra não é totalmente negativa e destruídora, por outro lado, podemos perceber o quanto ela pode contribuir para o nosso desenvolvimento saudável e o quanto é importante termos um diálogo sincero e reflexivo com nosso aspecto sombrio, pois é através da assimilação dos nossos conteúdos sombrios que poderemos evoluir em nosso processo de Individuação.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949






quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O MEIO DA VIDA


Os efeitos da Metanóia na perspectiva Junguiana




Segundo a psicologia analítica desenvolvida por Carl Gustav Jung (1875-1961), dos 35 aos 50 anos de idade, chegamos a fase do Desenvolvimento Humano denoninada de Meia Idade ou Meio da Vida.
Conforme a ideia proposta pelo presidente da Associação Internacional de Psicologia Analítica, Murray Stein (2007), esta é a fase do enterro das seguranças e da identidade perdida. Mudanças de humor, limitações da vida, ataques de pânico, momentos de nostalgia, períodos de luto, e principalmente a negação de que tudo isso esteja acontecendo, são carcterísticas muito presentes nesta fase do desenvolvimento.
De acordo com Murray Stein (2007), o meio da vida trata-se de um momento onde o Self (nossa totalidade – Si Mesmo) tenta tomar o controle de nossa psique, correspondendo assim, ao início do processo de Individuação.
É um tempo de muitos questionamentos e transformações. Podemos concluir que esta etapa consiste num forte empurrão do Inconsciente que aparece de forma repentina, nos desconcertando e carregando em si uma extrema reviravolta. Trata-se de uma etapa dolorosa, pois, sempre soubemos que ela um dia chegaria, no entanto, nunca esperamos, de fato, por ela.
Através dos estudos de Stein (2007), podemos interpretar esta etapa como uma mensagem que é transmitida pelo nosso Inconsciente. Esta mensagem precisa ser assimilada, caso contrário, o não-entendimento desta mensagem poderá se desenvolver de forma muito mais dolorosa e dramática. Podendo se manifestar através de graves acidentes, somatizações, AVCs, enfartes e o desencadeamento das mais variadas doenças. Todos esses acontecimentos relacionados com os estudos da psicossomática é o que denominamos “demônio do meio-dia” na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.
A Psicoterapia nesta fase da vida torna-se uma peça fundamental na jornada do autoconhecimento.
Chegar a “meia idade” significa fazer um balanço consigo mesmo, assim, realizamos o auto exame de nossas vivências, originando, de certa forma, uma espécie de crise existencial. Com certa frequência, este é um tempo de depressão.
Segundo Murray Stein (2007), nesta fase da existência humana, o indivíduo não tem mais a mesma disposição de antes. Em muitos momentos se vivencia a tristeza e a insegurança e os cabelos brancos começam a dar o “ar” de sua graça.
A Juventude ficou para trás, entra-se agora em uma outra etapa da vida. Eis a tão comentada Metanóia.  Metanóia pode significar: expansão da consciência, ir além da razão lógica, transcender, converter-se, ter mudança de crenças ou visão de mundo.
O principal tarefa da análise Junguiana é conduzir o analisando ao seu estado de Metanóia. Nesta fase de transformação e mudança de crenças e valores, é importante ressaltar que, é preciso também voltar ao “primeiro amor”, isto é, ir em busca daquilo que é meu e que, de alguma forma, eu deixei para trás em benefício do outro.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949

Referência Bibliográfica:

STEIN, Murray. No meio da Vida: Uma Perspectiva Junguiana – São Paulo: Paulus, 2007.


CONFRONTANDO OS FANTASMAS DA CULPA




Enfrentar a vida sempre exige de cada um de nós um esforço quase que sobrenatural. Uma das coisas que mais nos assombra é o fardo do passado e as incertezas que nos rodeiam em relação ao futuro.
O preço que pagamos por um passado sobrecarregado é a Culpa, enquanto que  o preço que pagamos pela incerteza do futuro é a Ansiedade. O peso da culpa nos torna cada vez mais incapazes diante da vida.
A maioria de nossos comportamentos, consciente e inconsciente, são movidos por culpa, vergonha, ansiedade, medo e outros fantasmas que envolvem nossa alma. O sentimento de culpa se revela em nossas vidas através de três maneiras:
·        Evitação;
·        Supercompensação;
·        Autosabotagem.
A culpa manifestada através da evitação nos leva para longe das condições normais da vida. Neste cas, a culpa nos traz a sensação de indignidade. “Não sou digno de estar neste local!”
A culpa revelada pela supercompensação é aquela que compensamos a nossa culpa através de atitudes compensatórias. Por exemplo: o pai que se sente culpado pela ausência na vida do filho, compensa a sua culpa através da compra de meios materiais.
A autosabotagem consiste na autocondenação que o preço da autocondenação que o preço da culpa nos traz. Frases do tipo:
- Sou um monstro
- Estou condenado ao inferno!
- Nada pode me salvar!
Este tema tão complexo nos remete ao tão temido reconhecimento de nossa sombra (Aspecto sombrio de nossa personalidade).
Quando reconhecemos e assuminos nossa culpa, podemos encontrar a nossa real libertação. Reconhecer é dar um novo significado, para que assim, possamos não carregar mais o peso de uma determinada culpa.
Reconheça a sua sombra e ela não mais te dominará.
A culpa pode ter o poder de nos destruir, mas quando a reconhecemos e ressignificamos a dor que ela nos causa, o sentimento de culpa pode se tornar um importante aliado no processo do despertar de nossa consciência.
A culpa pode se manifestar através das constantes autoacusações, isto é, pela cobrança e pela rigidez com que o sujeito  trata aele mesmo, através de um mascarado  sentimento de inferioridade que na realidade expressa um sentimento de superioridade.
Para a Psicologia profunda de Carl Gustav Jung, o sentimento de culpa é um dos maiores males que atingem  a civilização. É muito comum utilizar este sentimento, e essa utilização está contida no universo do inconsciente, com o objetivo de tentar controlar uma situação negativa, de repulsa, que está no limiar da assertividade ou não.

Evandro Rodrigo Tropéia
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949


EXPRESSÕES DO INCONSCIENTE NA PSICOLOGIA ANALÍTICA: MANDALA





A partir do pensamento psicanalítico proposto por Sigmund Freud (1856-1939), houve considerável mudança de vértice na psicologia, sociologia, antropologia. Esta mudança ocorreu através da construção de um modelo de aparelho psíquico que consiste numa espécie de mapa mental.
Este mapeamento da psique segundo a psicologia analítica Junguiana é formado por três importantes elementos:
             Ego;
             Inconsciente pessoal;
             Inconsciente coletivo.
A definição do Inconsciente pessoal, segundo Carl Gustav Jung, se assemelha a ideia proposta por Freud. O Inconsciente é parte mais profunda da mente, trata-se do lugar do eu onde se sente mas não se sabe. A partir dos estudos de Sigmund Freud, entendemos que não temos controle desta área do psiquismo a não ser por repressão. Tudo aquilo que o ego (eu) não suporta migra para o inconsciente se tornando um conteúdo reprimido.
O Inconsciente é atemporal e não trabalha com a idéia de espaço. O inconsciente tem como objetivo principal a tarefa de equilibrar a Psique. Este trabalho do inconsciente consiste na Auto-regulação psíquica, que  se refere a tendência do inconsciente em manifestar conteúdos não vivenciados na consciência, de forma que o sujeito viva inconscientemente o que está reprimido, equilibrando e regulando a psiquê.
Existem diversas maneiras que o Inconsciente encontra para a sua manifestação. Neste artigo, quero compartihar com o caro leitor, uma das formas de manifestação do Inconsciente mais apaixonante, segundo Carl Gustav Jung, que são as Mandalas.


Através de seus minuciosos estudos, Jung analisou que as mandalas consistiam nas mais variadas formas de elaboração dos conteúdos interiores do ser humano, e no seu estudo das manifestações do inconsciente, seus analisados produziam de forma espontânea desenhos de mandalas, sem saber o que ela é ou o que estavam fazendo, e ele dizia, que isso tende a acontecer com pessoas que possuem um progresso muito grande na sua individuação.
“O Self é com freqüência figurado em sonhos ou imagens de forma impessoal - como um círculo, mandala, cristal ou pedra - ou pessoal como um casal real, uma criança divina, ou na forma de outro símbolo de Divindade.”(Fadiman e Frager, 2002, p. 56 na ed. Harbra)
O termo Mandala nos remete a uma palavra Sanscrita para círculo de cura ou mundo inteiro. É uma representação do universo e de tudo o que nele contém. Os círculos sugerem totalidade, unidade do ser com o universo, o útero materno, completude e eternidade.


A Psicologia analítica de Carl Gustav Jung nos ensina que a mandala pode ser um instrumento terapêutico utilizado de diversas maneiras:
·         Desenvolvimento pessoal;
·         Desenvolvimento espiritual;
·         Promover cura;
·         Harmonização de pessoas e ambientes;
·          Dança;
·         Arte,
·         Arquitetura.
De acordo com o pensamento elaborado por Carl Gustav Jung , podemos afirmar  que a mandala serve para ativar, energizar, irradiar, concentrar, absorver, transformar, transmutar, curar e espiritualizar as pessoas que trabalham com elas, um ambiente que se quer fazer especial ou até mesmo para algo que se quer alcançar.


Encontre seu caminho, busque sempre pelo equilíbrio.
Faça terapia!

(Evandro Rodrigo Tropéia)

Referências Bibliográficas:
 HALL, C.S; Nordby, V.J. Introdução à Psicologia Junguiana. Ed. Cultrix, SP, 2003.