"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana." (Carl G. Jung)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Religião como Função Psicológica
Segundo a Psicologia Analítica Junguiana a religiosidade
é uma função natural, inerente à psique, sendo assim considerado um fenômeno
universal. A religião é encontrada desde
os tempos mais remotos nas mais variadas culturas, povos e nações. Para Jung a
religião é um instinto.
Nise da Silveira nos revela que a divergência entre Jung
e Freud, neste assunto, é absoluta. Segundo Carl Gustav Jung a religião apresenta-se
como um fenômeno genuíno; enquanto que para Sigmund Freud é um derivado do
complexo paterno e uma das sublimações possíveis do instinto sexual, sendo
considerado pelo mesmo como uma espécie de neurose.
A psiquiatra Nise da Silveira nos concede o seguinte
apontamento:
“Jung toma atitude positiva em relação às religiões. Todas são
válidas na medida em que recolhem e conservam as imagens simbólicas oriundas
das profundezas do inconsciente e as elaboram em seus dogmas, promovendo assim
conexões com as estruturas básicas da vida psíquica.”
Essas conexões são de tanta importância que
Jung,fundamentado no seu trabalho de psicoterapeuta, chegou à seguinte
conclusão:
"Entre todos os meus doentes na segunda metade da vida, isto é,
tendo mais de trinta e cinco anos, não houve um só cujo problema mais profundo
não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última
instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre
deu em todos os tempos a seus adeptos, e nenhum curou-se realmente sem recobrar
a atitude religiosa que lhe fosse própria. Isto, está claro, não depende
absolutamente de adesão a um credo particular ou de tornar-se membro de uma
igreja”.
Carl Gustav Jung utiliza a palavra religião no sentido de
religio (re e ligare), tornar a ligar.
A religiosidade nos remete
ao fato de religar o consciente com certos poderosos fatores do inconsciente a
fim de que sejam tomados em atenta consideração. Estes fatores são
caracterizados por suas intensas cargas energéticas e intenso processo dinâmico.
Nise da Silveira relata que para Jung todas as religiões originam-se basicamente de encontros com esses
fatores dinâmicos do inconsciente, seja em sonhos, visões ou êxtases. Esses
fatores se apresentam encarnados em imagens dos mais diversos aspectos: deuses,
demônios, espíritos.
Jung reconhece “todos os deuses possíveis e
imagináveis, sob a condição única de que sejam ou tenham sido atuantes no
psiquismo do homem".
Não importa que "todas as afirmações
religiosas sejam impossibilidades físicas".
Pensamento Positivo
Você é o que a sua própria mente dita.
O Pensamento torna-se a arma mais importante em nossa vida quando usamos sua força a nosso próprio favor.
Segundo Freud, o pensamento é o ensaio da ação. Tal definição nos remete a seguinte conclusão de que o pensar nos impulsiona e nos direciona para algo.
Se pensarmos positivamente, seremos impulsionados para algo positivo.
Se pensarmos negativamente, seremos impulsionados para algo negativo.
É necessário esforço para direcionarmos nossa mente para realizar aquilo que realmente queremos. É possível ser feliz!
O Pensamento torna-se a arma mais importante em nossa vida quando usamos sua força a nosso próprio favor.
Segundo Freud, o pensamento é o ensaio da ação. Tal definição nos remete a seguinte conclusão de que o pensar nos impulsiona e nos direciona para algo.
Se pensarmos positivamente, seremos impulsionados para algo positivo.
Se pensarmos negativamente, seremos impulsionados para algo negativo.
É necessário esforço para direcionarmos nossa mente para realizar aquilo que realmente queremos. É possível ser feliz!
sábado, 14 de novembro de 2015
O Homem em Chamas
Em meu processo terapêutico, surgiu em minha mente um breve lampejo de memória e acabei relatando para a minha terapeuta.Relatei um sonho que tive em uma determinada noite. Certamente não me recordo se aquilo foi um sonho ou apenas um fator inconsciente emergido naquele momento.
Neste sonho me deparei com a seguinte imagem, levemente distorcida:
Estava sentado numa cadeira de alpendre de uma casa simples na beira da estrada. Me recordo que estava calmo, sereno e completamente isolado, tomando lentamente um copo de água.
De repente, surge no meio da estrada um homem com o corpo totalmente envolto em chamas clamando por socorro de maneira completamente inusitada, gritando desesperadamente.
O homem sentado observava toda quela cena com um ar de desprezo, achando tudo aquilo um grande absurdo:
- Onde já se viu! Pra quê tanto desespero? Basta tomar um pouco de água!
Enquanto isso, o homem em chamas continuava correndo de maneira dolorosa e angustiante.
Minha primeira interpretação diante do fato relatado, foi certamente pautada nas bases do "censo comum". Me atentei a dizer para a terapeuta que aquele homem pegando fogo simbolizava tudo o que há de mal e sombrio que estava se aproximando de mim e que ele estava aparecendo para me tirar a paz. Afinal, desesperos e angústias são coisas "malignas".

No entanto, minha terapeuta, me direcionou para uma outra forma de análise sobre o intrigante sonho: O Homem em chamas sou eu mesmo, clamando por socorro dentro de mim.
- "Quero sair! Quero viver! Tire-me daqui!"
Percebi naquele momento que tinha alguém pegando fogo dentro de mim e eu estava sufocando aquele clamor dentro do meu próprio eu. Alguém querendo gritar, aparecer e viver. Neste dia compreendi que estava faltando respeito para com a minha totalidade em questão.
Alimentei somente o Evandro calmo, tranquilo, que não briga, não chora, não clama, apenas aceita tudo e diz amém. Esqueci completamente daquele homem que carrega dentro de si desejos, anseios, dúvidas, medos, paixões, pulsões, emoções, lágrimas e sangue.
Este sonho me fez retornar a caminhada de forma muito mais madura e equilibrada, pois a prática do equilíbrio é principal fundamento para a estrada da individuação.
(Evandro Rodrigo)
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
ESPIRITUALIDADE NO PROCESSO TERAPÊUTICO
As mais variadas crenças
religiosas e valores podem nos remeter à suposições básicas sobre a natureza
humana e nos oferece dados referenciais de extrema importância para o estudo
dos enfrentamentos do ser humano frente as adversidades psicológicas.
As crenças religiosas têm um
papel fundamental na formação de subsídios e no processamento de informações,
auxiliando muitas pessoas na organização e na compreensão de eventos dolorosos
e imprevisíveis que podem gerar diversos sintomas, como observamos em Fobias
específicas, tais como: Transtorno do Pânico, Transtorno Somaforme, Transtorno
de Estresse pós traumático, entre outros.
Diante disso, podemos
afirmar que, assim como qualquer pessoa pode procurar a psicoterapia com base
nos seus valores e crenças, a ressurreição e a reencarnação devem ser levadas
em conta com seriedade pelos psicoterapeutas, que devem buscar informações
adequadas em abordagens coerentes e eficazes, sem misticismo e sem práticas
divinas.
O psicoterapeuta precisa
estar confortável para abordar as questões espirituais e religiosas, como a
reencarnação, a ressurreição e a vida após a morte. Este é o primeiro de uma
série de passos para que a psicoterapia siga seu percurso nas diretrizes éticas.
As informações colhidas no processo terapêutico devem ser pautadas sobre tudo o
que o paciente acredita, o que exige conhecimento de estratégias objetivas para
otimizar o enfrentamento das dificuldades com base nesse sistema de crenças.
Quando o psicoterapeuta
consegue atribuir significados aos sintomas de ansiedade, fobia específica,
pânico, transtorno de estresse pós traumático e outros desajustes associados a
conteúdos ligados à espiritualidade – se essa for a crença do paciente – pode
favorecer a atenuação ou até mesmo a libertação dos sintomas.
Quanto ao atendimento a
pacientes espiritualistas, responderemos a perguntas como:
- Quais são os
limites do psicólogo quando os temas religiosos/espirituais envolvem a
queixa do paciente?
- Quais os
diferenciais entre o trabalho psicoterápico realizado apenas pelo
psicólogo e as atividades de capelães, religiosos e orientadores
espirituais?
O Conselho Federal de Psicologia esclarece que: “Não existe oposição
entre a Psicologia e a religiosidade, pelo contrário, a Psicologia é uma
ciência que reconhece a religiosidade e a fé presentes na cultura e participam
na constituição da dimensão subjetiva de cada um de nós. A relação dos
indivíduos com o ‘sagrado’ pode ser analisada pelo(a) psicólogo(a), nunca imposto
por ele(a) às pessoas com as quais trabalha.”
As práticas religiosas que
envolvem a reencarnação, por exemplo, desempenham um papel importante no
desenvolvimento de mecanismos saudáveis de enfrentamento por refugiados
tibetanos. Muitas pessoas acreditam que as adversidades dos tempos atuais estão
relacionadas a passagens de vidas anteriores. Assim, como muitos cristãos que
crêem na ressurreição acreditam na influência maligna e sombria exercida pelo
demônio na vida das pessoas.
(Evandro Rodrigo)
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