Você é o que a sua própria mente dita.
O Pensamento torna-se a arma mais importante em nossa vida quando usamos sua força a nosso próprio favor.
Segundo Freud, o pensamento é o ensaio da ação. Tal definição nos remete a seguinte conclusão de que o pensar nos impulsiona e nos direciona para algo.
Se pensarmos positivamente, seremos impulsionados para algo positivo.
Se pensarmos negativamente, seremos impulsionados para algo negativo.
É necessário esforço para direcionarmos nossa mente para realizar aquilo que realmente queremos. É possível ser feliz!
"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana." (Carl G. Jung)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
sábado, 14 de novembro de 2015
O Homem em Chamas
Em meu processo terapêutico, surgiu em minha mente um breve lampejo de memória e acabei relatando para a minha terapeuta.Relatei um sonho que tive em uma determinada noite. Certamente não me recordo se aquilo foi um sonho ou apenas um fator inconsciente emergido naquele momento.
Neste sonho me deparei com a seguinte imagem, levemente distorcida:
Estava sentado numa cadeira de alpendre de uma casa simples na beira da estrada. Me recordo que estava calmo, sereno e completamente isolado, tomando lentamente um copo de água.
De repente, surge no meio da estrada um homem com o corpo totalmente envolto em chamas clamando por socorro de maneira completamente inusitada, gritando desesperadamente.
O homem sentado observava toda quela cena com um ar de desprezo, achando tudo aquilo um grande absurdo:
- Onde já se viu! Pra quê tanto desespero? Basta tomar um pouco de água!
Enquanto isso, o homem em chamas continuava correndo de maneira dolorosa e angustiante.
Minha primeira interpretação diante do fato relatado, foi certamente pautada nas bases do "censo comum". Me atentei a dizer para a terapeuta que aquele homem pegando fogo simbolizava tudo o que há de mal e sombrio que estava se aproximando de mim e que ele estava aparecendo para me tirar a paz. Afinal, desesperos e angústias são coisas "malignas".

No entanto, minha terapeuta, me direcionou para uma outra forma de análise sobre o intrigante sonho: O Homem em chamas sou eu mesmo, clamando por socorro dentro de mim.
- "Quero sair! Quero viver! Tire-me daqui!"
Percebi naquele momento que tinha alguém pegando fogo dentro de mim e eu estava sufocando aquele clamor dentro do meu próprio eu. Alguém querendo gritar, aparecer e viver. Neste dia compreendi que estava faltando respeito para com a minha totalidade em questão.
Alimentei somente o Evandro calmo, tranquilo, que não briga, não chora, não clama, apenas aceita tudo e diz amém. Esqueci completamente daquele homem que carrega dentro de si desejos, anseios, dúvidas, medos, paixões, pulsões, emoções, lágrimas e sangue.
Este sonho me fez retornar a caminhada de forma muito mais madura e equilibrada, pois a prática do equilíbrio é principal fundamento para a estrada da individuação.
(Evandro Rodrigo)
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
ESPIRITUALIDADE NO PROCESSO TERAPÊUTICO
As mais variadas crenças
religiosas e valores podem nos remeter à suposições básicas sobre a natureza
humana e nos oferece dados referenciais de extrema importância para o estudo
dos enfrentamentos do ser humano frente as adversidades psicológicas.
As crenças religiosas têm um
papel fundamental na formação de subsídios e no processamento de informações,
auxiliando muitas pessoas na organização e na compreensão de eventos dolorosos
e imprevisíveis que podem gerar diversos sintomas, como observamos em Fobias
específicas, tais como: Transtorno do Pânico, Transtorno Somaforme, Transtorno
de Estresse pós traumático, entre outros.
Diante disso, podemos
afirmar que, assim como qualquer pessoa pode procurar a psicoterapia com base
nos seus valores e crenças, a ressurreição e a reencarnação devem ser levadas
em conta com seriedade pelos psicoterapeutas, que devem buscar informações
adequadas em abordagens coerentes e eficazes, sem misticismo e sem práticas
divinas.
O psicoterapeuta precisa
estar confortável para abordar as questões espirituais e religiosas, como a
reencarnação, a ressurreição e a vida após a morte. Este é o primeiro de uma
série de passos para que a psicoterapia siga seu percurso nas diretrizes éticas.
As informações colhidas no processo terapêutico devem ser pautadas sobre tudo o
que o paciente acredita, o que exige conhecimento de estratégias objetivas para
otimizar o enfrentamento das dificuldades com base nesse sistema de crenças.
Quando o psicoterapeuta
consegue atribuir significados aos sintomas de ansiedade, fobia específica,
pânico, transtorno de estresse pós traumático e outros desajustes associados a
conteúdos ligados à espiritualidade – se essa for a crença do paciente – pode
favorecer a atenuação ou até mesmo a libertação dos sintomas.
Quanto ao atendimento a
pacientes espiritualistas, responderemos a perguntas como:
- Quais são os
limites do psicólogo quando os temas religiosos/espirituais envolvem a
queixa do paciente?
- Quais os
diferenciais entre o trabalho psicoterápico realizado apenas pelo
psicólogo e as atividades de capelães, religiosos e orientadores
espirituais?
O Conselho Federal de Psicologia esclarece que: “Não existe oposição
entre a Psicologia e a religiosidade, pelo contrário, a Psicologia é uma
ciência que reconhece a religiosidade e a fé presentes na cultura e participam
na constituição da dimensão subjetiva de cada um de nós. A relação dos
indivíduos com o ‘sagrado’ pode ser analisada pelo(a) psicólogo(a), nunca imposto
por ele(a) às pessoas com as quais trabalha.”
As práticas religiosas que
envolvem a reencarnação, por exemplo, desempenham um papel importante no
desenvolvimento de mecanismos saudáveis de enfrentamento por refugiados
tibetanos. Muitas pessoas acreditam que as adversidades dos tempos atuais estão
relacionadas a passagens de vidas anteriores. Assim, como muitos cristãos que
crêem na ressurreição acreditam na influência maligna e sombria exercida pelo
demônio na vida das pessoas.
(Evandro Rodrigo)
sexta-feira, 19 de junho de 2015
CONSEQUENCIAS DE UMA RELIGIOSIDADE PAUTADA NO DESEQUILÍBRIO
Segundo Jung, tal como a energia física, a
energia psíquica também é encaminhada e transformada, isto é, a energia
psíquica é canalizada para algo pelo qual damos um intenso valor, como por
exemplo, as pessoas que amamos e fazem parte de nossas vidas, nossos trabalhos,
nossos lazeres, bem como as doutrinas que são aprendidas e vivenciadas dentro
de uma instituição religiosa.
Para Jung este valor nos remete a medida da
quantidade de energia consagrada a um elemento psíquico particular. Portanto,
através de uma má canalização energética surge o desequilíbrio, desencadeando
assim, problemas de intensa gravidade psíquica e religiosa, tais como a
intolerância religiosa entre denominações espirituais e também com os demais
grupos sociais, o valor unilateral que gera uma espécie de egoísmo salvífico,
ou seja, ouvimos expressões do tipo: “Somente minha religião nos garante a
salvação!”
Estas consequências afetam de maneira
considerável, o ser humano em todos os contextos dimensionais, principalmente
no desenvolvimento moral e social, pois o desequilíbrio oriundo de uma má
canalização energética quebra por si só toda forma de moralidade e como
consequência surge o comprometimento imediato do desenvolvimento do ser humano
enquanto ser social.
A religião desequilibrada tem um intenso
poder prejudicial na vida de qualquer pessoa, pois quando não há uma boa
dosagem de equilíbrio, a mente humana se perde em um imenso vale obscuro,
gerando assim uma espécie de venda, que chamamos em termos religiosos de “cegueira
espiritual”, criando na vida humana barreiras ocultas que vão crescendo à
medida que o desequilíbrio aumenta sua intensidade.
Esta barreira , segundo Jung, toda
unilateralidade impede o desenvolvimento pessoal, social e moral da psique
humana, pois a mente neste estado passa por um momento de sequestro do eu.
Dentro do que chamamos aqui de sequestro do
eu, o objeto amado, no caso, a religião toma a posição do sequestrador que tem
o domínio e o controle total da situação no cativeiro simbólico, enquanto que,
o sequestrado é o ego fragilizado, debilitado em sua totalidade por conta dessa
perda extremamente dolorosa da liberdade.
É a doentia relação existente entre
Dominador e Dominado, onde o “outro” mantém o controle total do funcionamento
psíquico do ego completamente empobrecido.
Ao se afastar de sua subjetividade e tudo o
que ela representa, o sujeito sente-se excluído e privado de ser ele mesmo e
passa a viver categoricamente em função do objeto amado.
O sequestro da subjetividade humana, que se
origina da religião desequilibrada é comparado a um cárcere. Existem cárceres
que vão muito mais além de paredes e celas. São prisões que não são concretas,
são invisíveis aos olhos humanos e, portanto não há nada concretamente a ser
quebrado.
Este sequestro consiste em tudo aquilo que
nos priva de nós mesmos, onde corremos o extremo risco de abrir mão de nossos
próprios valores e projetamos toda nossa disposição e totalidade de ser pessoa
no “outro”.
(TROPÉIA, 2015)
CONTRIBUIÇÕES DA ESPIRITUALIDADE NO CONTEXTO DO AUTOCONHECIMENTO
Uma das grandes contribuições da espiritualidade
na vida humana nos remete ao processo de autoconhecimento. Processo pelo qual se desenvolve a busca pelo
equilíbrio de si mesmo, que implica em conhecer e dominar o próprio “eu” em
toda a sua totalidade para a externalização do conhecimento referente ao
“outro”.
Carl Gustav Jung define Jesus Cristo como o
maior e mais claro exemplo de individuação e alcance pleno de sua totalidade,
pois sua força exalava sensibilidade, suas palavras de autoridade ressoavam
ensinamentos de amor, acolhimento e compaixão.
Cristo carrega em si na sua intensa
totalidade uma bela capacidade de conhecimento de si mesmo, a ponto de
externalizar a complexa atividade de compreender a todos que o procuravam.
Um de seus maiores ensinamentos nos diz:
“Amar ao próximo como a ti mesmo.”
Este ensinamento nos remete à ideia de que
para amar o próximo é necessário primeiramente amar a si mesmo.
A religião é uma importante ferramenta no
contexto do autoconhecimento quando esta é pautada com uma boa dose de
equilíbrio.
Consequentemente pessoas equilibradamente
religiosas desenvolvem-se de maneira saudável em todas as suas dimensões,
principalmente no que diz respeito aos aspectos sociais e morais.
(Evandro Rodrigo)
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