Há dores que não gritam.
Há feridas que nunca sangram.
E há histórias que ninguém ouviu, mas que mesmo
assim moldam a forma como respiramos, amamos, trabalhamos e nos relacionamos
com o mundo.
A cura interior começa exatamente aqui: no
reconhecimento de que o que chamamos de “problema atual” muitas vezes é apenas
a superfície de algo muito mais profundo.
No consultório, na oração, ou no silêncio da
madrugada, a alma sussurra. Nem sempre entendemos de imediato o que ela está
tentando dizer — às vezes ela aparece como ansiedade, cansaço crônico, vazio
existencial, padrões repetitivos de relacionamento ou uma sensação de
"algo está fora do lugar". A psicologia chama isso de sintoma. A
espiritualidade chama de chamado. Eu chamo de convite.
A dor como mensagem, não como inimiga
Fomos ensinados a enfrentar a dor como quem
enfrenta um inimigo. Mas toda dor psicológica é, antes de tudo, um pedido de
atenção.
O corpo fala, a mente insiste, a alma
direciona. Quando ignoramos esses sinais, os sintomas aumentam, se transformam,
mudam de forma — mas não desaparecem.
Na perspectiva psicológica, especialmente na
visão profunda de Jung, aquilo que evitamos tende a se tornar sombra, e a
sombra, como sabemos, sempre encontra um jeito de aparecer.
Na perspectiva espiritual, especialmente na
tradição cristã e mística, aquilo que não é iluminado se torna território
fértil para medos, crenças distorcidas, culpas antigas e feridas herdadas.
A cura interior começa quando paramos de lutar
contra a dor e começamos a dialogar com ela.


