terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A Ferida que Fala: Quando a Dor Interior se Revela



 

Há dores que não gritam.

Há feridas que nunca sangram.

E há histórias que ninguém ouviu, mas que mesmo assim moldam a forma como respiramos, amamos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo.

A cura interior começa exatamente aqui: no reconhecimento de que o que chamamos de “problema atual” muitas vezes é apenas a superfície de algo muito mais profundo.

 



No consultório, na oração, ou no silêncio da madrugada, a alma sussurra. Nem sempre entendemos de imediato o que ela está tentando dizer — às vezes ela aparece como ansiedade, cansaço crônico, vazio existencial, padrões repetitivos de relacionamento ou uma sensação de "algo está fora do lugar". A psicologia chama isso de sintoma. A espiritualidade chama de chamado. Eu chamo de convite.


A dor como mensagem, não como inimiga

 

Fomos ensinados a enfrentar a dor como quem enfrenta um inimigo. Mas toda dor psicológica é, antes de tudo, um pedido de atenção.

O corpo fala, a mente insiste, a alma direciona. Quando ignoramos esses sinais, os sintomas aumentam, se transformam, mudam de forma — mas não desaparecem.

Na perspectiva psicológica, especialmente na visão profunda de Jung, aquilo que evitamos tende a se tornar sombra, e a sombra, como sabemos, sempre encontra um jeito de aparecer.

Na perspectiva espiritual, especialmente na tradição cristã e mística, aquilo que não é iluminado se torna território fértil para medos, crenças distorcidas, culpas antigas e feridas herdadas.

A cura interior começa quando paramos de lutar contra a dor e começamos a dialogar com ela.

 

 



Evandro Rodrigo Tropéia

CRP: 06/143949